Quando é hora de procurar terapia?
Existe uma ideia bastante difundida de que terapia é para quem está em crise grave. Como se houvesse um nível mínimo de sofrimento a ser atingido antes de merecer ajuda. Essa ideia atrasa muita gente, e cobra caro.
Na prática, a maior parte das pessoas que chega ao consultório não está em colapso. Está funcionando. Trabalhando, cuidando dos filhos, cumprindo prazos. Só que funcionando com um custo altíssimo.
Sinais que costumam passar batido
- Cansaço que dormir não resolve. Você acorda e já está exausto, mesmo depois de oito horas de sono.
- Irritação desproporcional. Coisas pequenas geram reações grandes, e depois vem a culpa.
- Você virou o mais forte de todo mundo. Todos desabafam com você, e você não desabafa com ninguém.
- Anestesia. Não é tristeza, é ausência. Nada empolga muito, nada dói muito.
- Você está se explicando demais. Para o parceiro, para o chefe, para si mesmo.
- O mesmo padrão se repete. Relacionamentos diferentes, mesmo final. Empregos diferentes, mesmo desconforto.
- O corpo está falando. Dor de cabeça, tensão no ombro, estômago, insônia, sem causa médica encontrada.
Você não precisa de um motivo grave. Precisa apenas de um motivo verdadeiro.
Mas eu não tenho nada tão sério assim
Essa frase aparece com frequência na primeira sessão, quase sempre logo antes de a pessoa contar algo bastante sério. Comparar o próprio sofrimento com o dos outros é um jeito eficiente de nunca cuidar de si.
Existe uma outra forma de olhar: terapia também é preventiva. Do mesmo jeito que ninguém espera o dente cair para ir ao dentista, dá para procurar ajuda quando o problema ainda é pequeno e muito mais fácil de resolver.
O que a terapia é e o que ela não é
Ela não é alguém dizendo o que você deve fazer. Não é conselho de amigo. Não é desabafo sem direção. E não é um lugar onde você precisa chegar com o problema já bem formulado.
Ela é um espaço estruturado onde você pensa em voz alta com alguém treinado para escutar o que você não está dizendo, apontar padrões que você não vê de dentro e oferecer ferramentas concretas para o que está travando.
Como começar
O primeiro passo costuma ser o mais difícil, e ele é bem menor do que parece: escrever uma mensagem. Você não precisa saber explicar direito o que está sentindo. Não precisa ter um diagnóstico. Não precisa nem ter certeza de que quer continuar depois da primeira conversa.
Basta estar disposto a olhar. O resto a gente constrói junto.
Está em dúvida se é o seu caso?
Me mande uma mensagem contando o que está acontecendo. A primeira conversa já ajuda a organizar.
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